
Em setembro, quando o vento sopra sobre o Tapajós e a vila de Alter do Chão começa a ganhar novos sons, cores e movimentos, uma tradição secular volta a ocupar o coração da comunidade. De 17 a 21 de setembro, o Sairé 2026 reunirá fé, ancestralidade, música, dança e memória em uma das celebrações culturais mais marcantes da Amazônia.
Durante cinco dias, Alter do Chão deixa de ser apenas um dos destinos turísticos mais conhecidos do Pará e se transforma em território de encontro entre passado e presente. Moradores, visitantes e turistas passam a dividir as ruas, a praça, os espaços de celebração e a expectativa por uma festa que atravessou gerações.
Neste ano, o Sairé traz como tema “Rēdawa Ancestral – Território, Memória e Continuidade”. A proposta convida o público a olhar para a terra não somente como lugar físico, mas como espaço de pertencimento, lembrança e transmissão de saberes.

É nesse território, banhado pelas águas do Tapajós, que histórias antigas continuam sendo contadas.
O Sairé carrega mais de três séculos de tradição. Em seus ritos, permanecem as rezas, os cortejos, as ladainhas, o banho de cheiro, a partilha do tarubá e outros elementos que ajudam a manter viva a identidade cultural de Alter do Chão.
Cada gesto da festa guarda um pedaço da memória de quem veio antes.
Ao lado do rito tradicional, outra emoção toma conta do público: o Festival dos Botos. Cor de Rosa e Tucuxi voltam a protagonizar uma das disputas culturais mais esperadas da região.
No Lago dos Botos, música, dança, alegorias e personagens do imaginário amazônico transformam a arena em um grande espetáculo. É quando a lenda ganha corpo, a floresta vira cenário e a cultura amazônica se apresenta diante de milhares de olhos.

Mais do que uma competição, a disputa entre os botos também se tornou uma vitrine da criatividade de artistas, músicos, artesãos, dançarinos e trabalhadores que passam meses preparando cada detalhe da apresentação.
Enquanto a festa se aproxima, Alter do Chão também se organiza para receber o público. Serviços de segurança, saúde, trânsito, limpeza, fiscalização e mobilidade fazem parte da preparação para um dos períodos de maior movimento na vila.
Hotéis e pousadas recebem novos hóspedes. Restaurantes ampliam o movimento. Artesãos expõem seus trabalhos. Barcos cruzam o rio. As ruas ficam mais cheias e a economia local sente o impacto de uma celebração que movimenta diferentes setores. Mas o Sairé vai além dos números. Existe algo que não cabe nas estatísticas.
Está no som dos tambores, na voz de quem canta, nas mãos que confeccionam os adereços, no olhar dos mais velhos e na curiosidade das crianças que começam a conhecer uma tradição que um dia também será responsabilidade delas preservar.

Reconhecida oficialmente como manifestação da cultura nacional, a Festa do Sairé carrega hoje uma importância que ultrapassa as fronteiras de Santarém e do Pará.
Ainda assim, sua essência continua no mesmo lugar. Está em Alter do Chão. Está na memória do seu povo. Está no encontro entre fé, floresta, rio e tradição. Quando setembro chegar e o Sairé novamente tomar conta da vila, não será apenas mais

